20 February 2017

Olhar

       Boa noite caros e caras, como vão todos?

       Espero que todos estejam bem, pois eu estou bem! Aliás, após uns bons dias ruins, finalmente estou bem, poderia estar melhor, mas estou em paz - e isso é ótimo. Passei um final de semana consideravelmente calmo: sábado passei a tarde inteira com meu melhor amigo, e foi perfeito! A companhia dele sempre é excelente, mesmo se tivéssemos ficado em silêncio a tarde inteira teria sido muito gostoso, e no domingo eu fui ao cinema durante a tarde, assisti um filme excelente, francamente, fazia um bom tempo que não assistia um filme tão bom quanto o que vi. 
       Claro que o melhor do fim de semana foi a tarde inteira de conversa que tive com meu amigo. Gosto bastante de conversar com ele pois ele quebra meus paradigmas,  me faz pensar de uma forma diferente da que eu estou acostumada, ele sabe como falar comigo e me fazer ver as coisas de um outro ângulo; posso dizer que ele me faz pensar na medida certa. Tenho a terrível tendência a pensar muito, mas muito mesmo, além do que deveria e às vezes beiro caminhos bem errados em meus pensamentos (deveria começar a perguntar diretamente, tentar não ficar com questionamentos ou apenas me contentar com o que foi decidido e acordado durante a conversa, afinal, se eu cheguei a uma conclusão aceitável em minha mente não há necessidade de continuar o pensamento, mas, um dia eu aprendo.) - como sempre digo, um dia eu aprendo a escrever um artigo sem divagar, não estou me esforçando muito por enquanto, mas creio que isso sumirá naturalmente, conforme o tempo for passando me tornarei mais focada, com pensamentos mais focados, talvez seja a fase que estou passando. Enfim... 
       Conversamos sobre mil e uma coisas, desde novas fases, de crenças religiosas, 'nova eu' - aliás, estava bem focada nisso, bem firme e forte até ontem à noite que foi quando comecei a pensar alem da conta, negociações, relacionamentos e afins. Ele me acompanhou até minha casa, e falei para ele entrar - queria mostrar minha coleção de elefantes, meus livros e umas fotos que tenho em minha parede. Meu amigo acabou vendo minha agenda desse ano, e mostrei todas as agendas que tenho desde 2005/2006 (na época morava fora do país e as agendas seguiam o calendário escolar), e ele me perguntou se havia algum dia em particular que eu me lembrava. Honestamente não sabia corretamente o dia, mas sabia que em determinado ano, determinada época eu havia escrito sobre algo que me marcou muito. Contei o evento, que envolvia um namorado - meu primeiro namorado na verdade, o chamaremos de D - e comecei a falar sobre minhas expectativas em um relacionamento. 
       Inicialmente falei sobre as expectativas que já vi em pessoas de modo geral, e nisso falei que o que busco, o que almejo são o gestos da pessoa com quem estou, não busco que me idolatrem, ou me encham de presentes, mas sim gestos. Algumas vezes a pessoa que está ao meu lado nem se quer percebe quando faz algo que, para mim, tem um significado imenso e aquece meu coração. Esses pequenos atos podem passar despercebidos se não soubermos olhar com atenção - e é por isso que o gesto tem tanta importância para mim. Contei ao meu amigo o que de tão especial aconteceu naquela época, e contarei a vocês também.
       Dez anos atrás eu era bem diferente do que sou hoje, era bem da turma do rock, tinha uns bons 5 centímetros a menos, e uns bons kilos a mais, não era muito feminina  nem nada (algo um tanto quanto difícil de se imaginar para quem me conheceu nos últimos 5 anos). E fiz uma viagem com minha escola para a Irlanda - como disse, morava fora, e algumas escolas tinham parcerias entre si e facilitava intercâmbios culturais. E foi assim que passei uns dias na Irlanda. Sempre tive facilidade em fazer amizade com meninos, eles são tão simples é mais fácil lidar com eles e creio que eles nos ajudam a pensar de uma forma menos complexa - digo isso por mim, bem, e ao longo dos dias que lá fiquei eu fiz amizade com o D; foi tão bonitinho como nos tornamos amigos que até parece história da Disney, nunca na vida imaginei que me apaixonaria por ele, mas aconteceu. Foi bonitinho, foi puro, foi um sonho. Na última noite que passamos na Irlanda a escola fez uma baladinha para os alunos, foi suuuper legal, mega divertido, eu dancei a noite inteirinha! Adoro dançar, adoro sair, amo beber cerveja - na época não bebia, mas hoje bebo hehehe 
      Aquela noite poderia ter durado para sempre, sentia que ela nunca acabaria, dancei com meus amigos, dancei com o D - só para completar a parte que falei sobre mim, em como eu era diferente 10 anos atrás, o D era lindo, loiro, olhos azuis, magro mas com porte atlético, enfim... - aliás, dancei até cansar, até minhas pernas doerem, e eu ir sentar para descansar por uns momentos, nesse meio de tempo meu namorado, era na época, estava conversando com uns amigos - super normal, e eu sentei em outro local do salão para não atrapalhar a conversa dele com os amigos. Três figurativos segundos depois que eu sentei começou a tocar uma música romântica, e eu gelei, é lógico que eu gostaria que o D me tirasse para dançar, mas não iria pedir, nem nada, seria forçar a situação. A música romântica tinha começado a tocar naquele segundo, e eu vi de relance ele pedindo licença para o amigo, veio em minha direção e estendeu a mão pra mim. Esse gesto, essa mão estendida está gravada na minha memória da forma mais forte que existe, consigo lembrar como se tivesse acontecido agorinha mesmo. Foi mágico, foi um sonho que se tornou realidade. Meu coração pegou fogo, acho que ele nunca havia batido com tamanha intensidade, minhas entranhas pareciam feitas de areia. Me senti uma princesa naquele momento, aliás, acho que foi depois desse dia que comecei a ser mais feminina, algo nesse gesto ligou um botão diferente em mim, mexeu na minha estrutura, e me tornou em alguém diferente. 
       Engraçado, para vocês pode parecer algo tão insignificante, mas para mim foi tudo! Naquele momento me senti amada, me senti querida, senti como se só houvesse eu no mundo, e eu fosse a única pessoa que ele quisesse por perto, apesar de ter 15 anos apenas, naquela dança me senti mulher - e foi assim que comecei a me maquiar, não apenas passar lápis preto e rímel e só, comecei a revelar meu lado mais mulher. E olha, juntamente conosco naquela viagem estava a ex dele, a menina era linda! Magra, olhos azuis, cabelos pretos e lisos, e super branquinha (naquela época eu também era extremamente branca hahaha), e ela vinha tentar dar em cima dele, ou puxar papo - principalmente depois que começamos a nos relacionar, gente, mulher é uma desgrama, convenhamos! - e ele era super seco com ela, mal olhava pra ela, e quando ela chegava por perto ele me abraçava, sorria para mim, ele fazia questão de deixar claro para as pessoas que ele estava comigo, e que era eu que importava.  Sempre presto atenção nisso, meu último relacionamento teve dois momentos assim também. O primeiro foi antes de nos beijarmos, foi no nosso segundo encontro. Saímos com os amigos dele, e estávamos em um bar, estava perto do ombro dele - ambos sentados, e ele virou a cabeça e me olhou. Esse olhar ficou gravado também, foi algo tão bonito, tão caloroso que quase não consigo explicar. Realmente não consigo traduzir, foi especial, não o havia beijado até esse momento, e o olhar que ele me deu fez com que meu coração perdesse o compasso e minhas barreiras caíssem, por causa daquele olhar eu decidi que se houvesse um próximo encontro eu o beijaria. Após isso começamos a nos ver com maior frequência e culminou em um relacionamento sério, tanto que fui conhecer sua mãe. Ela não mora em minha cidade, aliás, mora beeem longe daqui. Ficamos cerca de 20 dias na casa dela, e todas as noites ele acordava durante a madrugada para fazer xixi (confesso que eu também acordo, aliás, acordo para beber água, e uma coisa leva a outra), e quando ele voltava para a cama, toda santa vez, ele me envolvia em seus braços e me puxava para perto de si. Gente do céu! Não tem como explicar como eu me sentia todas as noites quando ele fazia isso, eu sorria todas as vezes. Meu coração parava, sem brincadeira, ele parava no momento que a mão dele tocava na minha cintura e só voltava a bater quando estava perfeitamente acomodada no seu abraço. Nesse momento tudo estava perfeito, tudo estava bem, nada de ruim poderia acontecer dentro daquela puxada para perto. A casa poderia cair que sei que ela não cairia em cima de mim, estava protegida. Essa sensação de calorzinho no coração é imbatível.
       E é por isso que eu digo que o que conta são os gestos. Acho que nem o D, muito menos o H sabem - e provavelmente nunca saberão, o D não sabe português, e apesar de o H ter o link do blog, acredito que ele não o leia - que esses momentos estão gravados em minha memória, que eles aquecem meu coração, e de certa forma me transformaram, ou transformam ainda. Não preciso de grandes presentes, não preciso de grandes declarações - aliás, odeio declarações extensas em redes sociais, mas gosto dos olhares, de puxadas para perto - em qualquer local, qualquer situação, gosto de flores, de sorrisos e mãos estendidas. Isso sim faz a diferença, isso que faz com que eu queira estar com a pessoa, que me faz querer batalhar pela pessoa, que toca no meu coração. Veja bem, já se passou 10 anos e ainda me lembro do D ao me estender a sua mão, e basta fechar os olhos para lembrar do olhar e do sorriso do H ao virar o rosto para mim, sei que não me esquecerei disso. Daqui dez anos me lembrarei disso ainda, isso é o que conta, é isso que faz valer a pena. 
       

17 February 2017

Combo

       Boa tarde caros e caras, como vão todos ?

       Eu estou bem, sinceramente bem - animada até hehehe (só um pouco chateada pois o popcorn time não está funcionando direito e não consigo terminar de assistir ao ep3 da 7ª temporada de TWD - sim, eu estou uma temporada atrasada, eu sei, eu sei; mas já superei esse fato, e estou quase abstraindo o fato de não conseguir assistir TWD). Voltando ao fato que estou animada, meu coração está até disparado, vejam só! 
       Bem, não sei se vocês sabem, mas sou cristã. Tenho bastante fé em Deus, infelizmente me afasto de Deus às vezes - e quando isso acontece tudo dá errado na minha vida, absolutamente tudo! E tudo acontece de uma só vez, é horrível! Não estou que quando estou mais próxima de Cristo nada de ruim me acontece, pois enfrento batalhas do mesmo jeito, mas elas são mais fáceis de lidar pois estou em paz, e quando estou afastada de Cristo a paz some. Ultimamente tenho enfrentado algumas batalhas, e elas não tem sido nada fáceis, muito pelo contrário, essas batalhas tem consumido tudo o que eu sou. Tenho a terrível tendência a fica obcecada pelos meus problemas até que eles se resolvam, conforme cada uma vai se resolvendo fico mais leve e alegre - até minha pele fica mais viçosa. Toda vez que me afasto de Deus eu passo por um grande deserto, e esse deserto me leva para mais perto de Deus, faço várias orações, leitura bíblica... E é gostoso esse reaproximar, esse recomeço com Deus, aliás, acho que todos deveríamos ter alguns recomeços ao longo da vida. Mesmo com a reaproximação com Deus, ainda tenho surtos de ansiedade, de insegurança e acima de tudo medo, e eu garanto, ter medo é o pior sentimento que existe! 
       Será que algum dia eu conseguirei escrever um artigo sem divagar tanto? Enfim... Com todas essas batalhas, e aproximação com Deus, leituras bíblicas entre outros, percebi algumas coisas sobre mim que não eram legais. Já havia pensado sobre esses meus defeitos, mas nada concretizado ainda, e ontem, conversando com uma aluna a H, e em uma conversa diferente, com teor similar, com uma amiga MM (nome composto) algumas fichas caíram. Colegas! Essa semana tem sido de grandes revelações em minha vidinha, estou até meio zonza. Minha conversa com a H era sobre repetir comportamentos padrões, como os comportamentos de nossas mães. Todas nós falamos "jamais farei isso, quero ser totalmente diferente de minha mãe quando for minha vez", e temos a doce ilusão de que isso será verdadeiro; bom, pode se tornar, mas falarei sobre isso um pouco mais pra frente. Eu sempre disse que jamais seria como minha mãe em relacionamentos: dura, inflexível, possessiva, mandona e uma pessoa que impõe sua vontade, sem considerar o outro. E vejam só a ironia do destino: eu fiz exatamente isso! E não foi uma experiência agradável, pois acabou levando o melhor relacionamento que eu já tive pro brejo. Como isso doeu, perceber que havia caído em uma armadilha criada por mim mesma. 
       E é nesse momento que entra não somente a conversa com minha amiga MM, minha animação e Deus - "nossa! Quanta gente" você deve estar pensando, mas elas se complementam. Primeiro falarei da minha conversa com a MM, na verdade foi uma conversa via whatsapp, uma loonga conversa (a bonita me mandava áudios enormes! o menor deles tinha cerca de 7 minutos, e o maior tinha 16!!). Ela acabou de se casar, e começamos a falar sobre relacionamentos, não abri muito minha situação pois não achei necessário, falamos sobre mudanças, sobre orgulho e sobre o amor. Acredito que o ponto principal dessa conversa tenha sido o fato de que quebramos nosso orgulho quando gostamos de verdade de alguém (que fique bem claro, falávamos de nós duas, do que nós faríamos e não do que esperávamos do outro). Nós mudamos sem perceber pelo bem do relacionamento, tudo aquilo que dizíamos que nunca faríamos ou aceitaríamos caí por terra, e se torna um prazer fazer. Como já diria Paulo em 1 Coríntios 13.1-13 (farei um breve resumo) "ainda que falasse a língua dos anjos, sem amor nada seríamos; pois o amor é bondoso, paciente, tudo suporta, tudo crê, não busca seus interesses, é benigno, tudo sofre  e tudo espera". Essa passagem é linda, é extremamente forte, e extremamente esclarecedora. Deus entra nesse momento, na transformação, e no amor. Creio plenamente que foi Cristo quem deixou beeeem claro meu jeito errado de ser, pois até entrar em meu deserto eu achava que agia em certas coisas como minha mãe, mas que ainda assim era diferente. Achava isso pois durante um período pré-deserto eu era mais carinhosa e mais gentil, e aos poucos entrei numa fase em que fui horrível, grosseira, orgulhosa e arrogante com todos (como falado no artigo precedente), e logo após esse momento eu entrei no deserto, o tão dolorido deserto - que fique claro, eu mesma me coloquei na situação que estou hoje, ninguém colaborou, ninguém me fez sofrer, nem nada; eu de livre e espontânea burrice me coloquei nessa situação. E somente Deus sabe que faria de tudo para revertê-la. 
       Ao entrar no deserto eu comecei a ver algumas coisas, perceber algumas coisas que deveriam ser mudadas, já as tenho na minha mente, na teoria, o principal fato é que o combo dureza+inflexibilidade+orgulho+arrogância tem sido quebrados e se transformado em gentileza, carinho e compreensão. Isso é legal, fico tão animada quando consigo perceber meus erros, e ainda dá tempo de corrigir, afinal, não estou morta! Estou tão feliz por ter percebido agora, antes tarde do que nunca, algumas coisas que preciso mudar. E olha, é tão agradável poder mudar por algo que vale - ou valerá - a pena: um amor, um relacionamento. Estou ansiosa, num bom sentido, para colocar logo em prática tudo o que está borbulhando dentro de mim. Não sei exatamente como serão meus dias daqui pra frente, não sei o que o futuro me aguarda, mas sei que estou com um brilho diferente nos olhos, com um ritmo novo no coração e uma vontade absurda de mostrar que mudar pode ser prazeroso, e isso é possível, mudar sem nada exigir, mas sim por valer a pena, por ser bom. Ainda tenho muito o que evoluir em quanto ser humano, creio que morrerei e ainda terei muito o que mudar, mas posso me contentar com o que consegui por enquanto.

14 February 2017

Suja

       Olá! Como vão todos ?

       Estou péssima, horrível mesmo, mais pra baixo que c* de cobra - como diria minha mãe.Ultimamente me tornei uma pessoa detestável: rude, grosseira, cruel e seca. Estou assim há cerca de um mês, mas não com todos, somente com as pessoas mais próximas a mim, as pessoas que mais amo - e que eu acredito que também gostam de mim de verdade. Não sei por qual motivo me tornei assim, e não tem nenhuma justificativa aceitável para eu ter ficado assim. Certo dia o botão 'do mal' resolveu ligar e até então não havia se desligado - e eu fiz uma promessa para mim mesma, que eu não deixarei mais que ele ligue, nem sozinho, nem de forma alguma. Isso é terrível, é péssimo, é nojento. Vocês devem estar a se perguntar como foi que descobri que estava assim, bem, vou lhes contar brevemente: tenho 25 anos e ainda não tenho CNH, nunca tive vontade de dirigir, talvez até tenha certo medo - não sei, mas a verdade é que nunca tive esse anseio por tirar a carteira de motorista. Ontem tive minha primeira aula de volante, e foi quase traumático - apesar de saber dirigir, e ser uma motorista razoável, eu não gosto de pegar no volante, sempre acho que vai bater em algo, que um cão surgirá do nada, ou um carro ou pedestre, é uma agonia!
       Confesso que fiquei animada por ser uma experiência nova, mas fiquei muito feliz por ter acabado. Hoje pela manhã minha mãe me perguntou se estava mais animada com dirigir, ela foi gentil, foi legal, e eu fui estúpida com ela, sem o menor motivo. Joguei na cara dela que só estava fazendo as aulas pois ela havia me obrigado, que tudo o que eu pudesse não dirigir eu não dirigiria. Eu fui rude sem necessidade, joguei coisas na cara dela sem necessidade, aliás, não deveria nem ter falado para ela que ela me forçou - de fato o fez, mas poderia ver como ela investindo em mim e querer que eu progrida na vida. 
       Nessas últimas semanas, por motivo algum, tenho feito isso com as duas pessoas que mais gosto na atualidade, tudo eu acho que é ataque, descaso, desamor. Tudo eu acho que a pessoa não me quer, que sou alguém indesejado, que não sirvo. Tenho me sentido preterida, e parto para o ataque, só dou patadas, e sem motivos. Não tem motivos para eu enxergar o mundo como meu inimigo, na verdade eu tenho sido minha própria inimiga. Não sei explicar muito bem, mas revendo como eu me portei nas últimas semanas ( e isso não é coisa de duas semanas, mas bem umas quatro ou cinco ), tenho sido insuportável. Acredito que não houve motivo real para eu ter me armado tanto, ter enchido meu coração de orgulho e raiva, e atacar sem motivo as pessoas amadas. Uma delas tentou me alertar, e eu não ouvi, achei que fosse besteira - pois foi em um momento de briga, mas hoje vejo o quanto essa pessoa estava certa, quanto tempo eu desperdicei - literalmente joguei fora - por achar que os outros estavam contra mim, quando só queriam estar comigo, me amar, fazer parte dos meus dias, e eu de seus dias, conversar, trocar carinhos e bons momentos. Me armei por bobeira, e talvez perdi uma dessas duas pessoas que são tão importantes para mim. 
       Hoje em oração percebi como meu coração estava sujo, duro, estava cruel e isso foi um choque tremendo, foi uma tristeza para mim enorme, foi um balde de água fria que caiu e  que a água continua descendo. Ao me dar conta disso liguei imediatamente para minha mãe, chorei e pedi perdão, queria poder ter saído do meu trabalho e correr para os braços dela pedindo perdão. E agora, o que mais me dói, que rasga meu peito é eu não poder correr para abraçar e pedir perdão para a segunda pessoa que eu magoei, que se afastou com razão, que atualmente precisa de um tempo para colocar alguns sentimentos em ordem. Seria bom, seria perfeito poder chegar e falar "me perdoe por ter te atacado, me perdoe por ter sido tão dura, me perdoe por ter sido alguém diferente, alguém completamente diferente da minha real natureza. Sei que estou o cão chupando manga, sei que estou insuportável, eu sei! Acredite, estou me sentindo péssima, me perdoe, por favor"; infelizmente não sei se posso fazer isso agora, espero ter essa oportunidade em breve. Não é fácil você perceber o quão errada estava, o quanto você magoou quem estava ao seu lado, e sem motivos. 
       Eu realmente sinto muito por isso, queria poder recomeçar com todos os que magoei, queria pedir ajuda - mas isso é algo tão difícil, tão complicado admitir que você estragou tudo. Aliás, devo dizer nesse instante que estou novamente errada, acho que pedir perdão sincero, e pedir ajuda sincera não é difícil. Difícil mesmo é achar alguém disposto de fato a te ajudar, uma ajuda carinhosa, aquela ajuda bondosa. Todos temos potencial para nos tornarmos uma pessoa incrível, mas muitas vezes - aliás, todas as vezes - precisamos de uma pessoa ao nosso lado, que pegue na nossa mão e diga "eu vou com você". Já escrevi aqui antes sobre pedir ajuda, sei que essa grosseria é algo passageiro, que acabou nesse segundo, mas preciso me redimir. Sei que nem todos estão dispostos a dar essa nova oportunidade, essa chance de fazer corretamente, e isso é o que mais dói. Nota mental: necessito com urgência ouvir mais as pessoas ao meu lado, algumas vezes sei que elas estarão corretas, e outras não, mas quando a mesma frase se tornar recorrente, saberei que deverei parar, refletir e corrigir o erro, e se não souber como agir, pedir ajuda. 

06 February 2017

Querido

       Boa noite caros e caras, espero que todos estejam bem.

       Hoje escreverei mais uma carta, aliás, devo dizer que gostei desse esquema de escrever cartas, por mais que eu saiba que a pessoa nunca lerá o que eu escrevi, mas me dá um alívio tão grande somente de escrever, realmente sinto que falei diretamente com a pessoa e tudo se resolveu. Logo, hoje escreverei outra carta. 



"Querido H, 

Como vai? 

Cá estou eu escrevendo mais uma carta para você, e estou encontrando algumas dificuldades para me concentrar - confesso. Está tarde, meu dia foi horrível, e honestamente, tudo o que eu mais queria era poder te abraçar agora, dormir juntinho, bem acabei de ouvir a seguinte frase em um filme que estou assistindo 'Ele escolheu ir embora, deixa ele' foi triste, quase chorei, me identifiquei com a situação, no final o personagem voltou e se redimiu - e isso colocou um sorriso nos meus olhos. Não está fácil, estou me sentindo realmente abandonada, e pela pessoa que mais tem peso para mim no momento. Eu gosto de você, gosto mesmo, e Deus sabe o quanto eu gostaria de não gostar - ficou repetitivo, e confuso, mas minha mente está assim. Sinceramente, não queria que terminasse assim, quando o seu botãozinho de 'modo namorado' liga você se torna o melhor namorado que já tive, de longe! Você é carinhoso como nunca vi, preocupado, cuidadoso, cavalheiro, amoroso, gentil entre outras mil qualidades. Sei reconhecer isso, sei também ver seu lado 'b' e no momento isso é o que mais está pesando, esse lado imaturo, infantil, esse lado adolescente preso em um corpo de adulto. Tomei um balde de água fria, estou completamente destruída por dentro depois da notícia de ontem, fico me perguntando onde foi que errei? Quando deixei de te bastar? Qual foi meu erro? Me diga, onde foi que eu errei? O que eu te fiz para você agir assim?
Talvez meu erro tenha sido guardar um pouco meu coração, ou cozinhar pra você, deixar marmitinha na minha portaria por saber que você não estava comendo direito, ou fazer docinhos para você, para adoçar seus dias, para adoçar seu coração. Meu erro pode ter sido querer realmente construir um relacionamento sério contigo, com um futuro em vista. Meu erro deve ter sido querer estar contigo, sempre que possível, ter visto quem você pode se tornar lá na frente, ter visto um potencial gigantesco em se tornar o melhor namorado do mundo, alguém com quem eu poderia passar o resto da minha vida junto, ou ainda, não ter acreditado nisso o suficiente, por ver a sua resistência em estar em um namoro sério. Eu deveria ter visto isso desde o princípio, deveria ter ouvido os avisos que me davam, que me falavam que você não era do tipo que namora. Errei ao achar que você poderia sim se apegar a mim, que você poderia estar comigo de verdade, que você veria o valor que eu tenho, que você veria que mulheres como eu já não se acham mais. Errei ao acreditar que você ouviria as pessoas que te falavam que eu sou a pessoa certa para você, que sou alguém que vale a pena segurar, alguém que vale a pena ter por perto. Errei ao achar que poderia ser suficiente, errei ao me entregar, errei ao achar que poderia ser recíproco, errei em acreditar que você se entregaria, que você teria maturidade para encarar um relacionamento sério. Acreditei que você ouviria pessoas sensatas que te falavam para me valorizar, que eu era a pessoa certa, que eu era a pessoa que deveria estar contigo, acreditei que você ouviria amigos que falavam que sou perfeita. 
Sei que não sou perfeita, sei que sou dura, sei que sou reservada, sei que seguro meus sentimentos, sei que guardo meus sentimentos, sei que demoro para os demonstrar, sei disso. Tenho essa consciência, mas também sei que sou cuidadosa, que eu mimo, que eu dou carinho como ninguém, sei que quando me entrego é algo tão forte e poderoso que até dói dentro do peito, mas é uma dor gostosa de sentir, é um amor tão intenso que não cabe em mim, é uma paixão tão avassaladora que explode, que me consome da melhor maneira possível, afinal, é uma delícia morrer de amores e continuar vivendo - apenas citando. E você não me deu a chance de te mostrar isso, você não quis chegar nisso, você preferiu o incerto, o duvidoso ao sólido, ao verdadeiro, a quem de fato estará ao seu lado, para o que der e vier. Eu estaria ao seu lado, quando você estivesse doente - como eu o fiz, te dei remédio e água na boca, estaria ao seu lado em semanas difíceis da faculdade, estaria ao seu lado nos bons momentos. Seria a perfeita companheira, pra tudo! Hoje em dia que mulher cozinha - faz doces exclusivamente para o cara, gosta de beber cerveja e ir ao bar, gosta de comer besteira pelo simples fato de que um hambúrguer é mil vezes mais gostoso do que arroz e feijão, que se dá bem como todos seus amigos - inclusive que seus amigos gostam dela, que se dá bem com sua mãe e avó - e ambas gostam dela, e vice versa, que gosta de sexo - e muito!, que adora roda de bar, e adora ficar em casa assistindo seriado sem se preocupar com o resto das coisas ? Me diz, que menina hoje não é feminista, com mil ideais ridículos sobre homem x mulher ? Nos dias de hoje quando que você achará uma menina à moda antiga, que só precisa da certeza que o cara vale a pena para demonstrar tudo o que ela tem de bom ?
Boa sorte para encontrar alguém assim, meu caro. Só te pedi para estar de verdade em um relacionamento, foi tudo o que te pedi - aliás não deveria ter pedido, é óbvio que você deveria estar de verdade em um relacionamento, não é algo que deve ser pedido. E isso foi meu erro, achar que você estaria pronto, que você teria essa maturidade. Me perdoe por achar que você poderia ter sido o escolhido, perdão por ter apostado - no meu secreto - que você poderia ter sido, me perdoe por achar que depois dessa fase você poderia ter sido a pessoa por quem eu teria a paixão mais avassaladora de todas, perdão por achar que poderia de fato amar você, que poderia sentir a alegria, o aperto no peito mais gostoso do mundo que é amar alguém, me perdoe por isso. Deveria ter visto desde o princípio que você até gostaria de ser esse alguém, mas não foi capaz de escolher entre o certo, o bom, e o duvidoso, a farra. Espero que o duvidoso que você escolheu, a farra que você escolheu te aqueça nos momentos difíceis, te acolha na dificuldade, te dê remédio na boca quando você ficar doente, que faça para você brigadeiros de mil tipos diferentes, que faça o macarrão que você gosta, espero que a gandaia te abrace e diga que acredita em você, que estará ao seu lado para o que precisar, espero que o duvidoso te ofereça ajuda quando você estiver transbordado de coisas para fazer, realmente espero que você encontre isso na gandaia. Espero que com você seja diferente, pois até onde eu sei, no duvidoso não se encontra isso, o duvidoso é apenas duvidoso. São noites de sexo sem significado, são festas regadas ao álcool e risadas superficiais, e não de afeto e carinho de verdade. Mas quem sabe contigo não é diferente ? 
Não sei como terminar essa carta, não sei como te chamar, não sei como me despedir. Não dá pra fingir que não estou desapontada, decepcionada, com o coração partido, e também não posso fingir que não tenho sentimentos por você, muito confusos nesse momento, mas eles estão aqui. E está difícil, muito, muito mesmo! É difícil admitir que mesmo você tendo pisado na bola, que ainda gosto de você, que queria que você me abracasse e pedisse perdão, mesmo tendo sido a segunda pisada de bola sua, queria ouvir você me dizer, enquanto me abraça o quão arrependido você está, que você sabe que foi um idiota e que colocou tudo a perder. Me sinto péssima por isso, me sinto péssima por não conseguir apenas seguir em frente. 

M"

02 February 2017

Composta

       Olá caros leitores e leitoras, como vão todos?

       Eu estou bem, pensativa, como sempre... Hoje estou pensando sobre a saudade, na verdade eu a estou sentindo. Há quem diga que a palavra 'saudade' é uma das mais difíceis de ser traduzida, honestamente, eu discordo disso. Ao meu ver a saudade é a falta que algo ou alguém faz em sua vida, e existem palavras em outras línguas que expressam essa ideia. Porém não sou tradutora, e não vou debater esse assunto em um artigo de um blog que ninguém conhece, seria uma completa perda de tempo, mas exprimir meus sentimentos e o que penso/como lido - ou como gostaria de lidar com eles - é algo válido nesse blog. 
light, room, and bedroom image       Vejamos, para mim a saudade é um sentimento - diferente do amor que é decisão, e assim como a paixão: um sentimento. Bom, eu considero um sentimento porque é algo que bate no peito, que aperta o coração e que pode ser bom ou ruim. A nostalgia é a saudade boa, é aquele momento em que você lembra de algo gostoso de seu passado e tem vontade de voltar para lá, de viver aquilo novamente. Acho isso tão gostoso, voltar aos bons momentos... Confesso que sou um bocado nostálgica, e adoro isso, sempre revivo bons momentos que passei ao longo dos tempos. Tenho agendas com lembranças de todos os bons dias que passei, sempre que vou a algum local legal eu trago comigo um guardanapo, um ticket, um bilhete de entrada, entre outros, e depois colo em minha agenda e descrevo o dia em tópicos, assim sempre que ver alguma agenda do passado todas essas boas memórias voltam e fico feliz. Atualmente além da minha agenda eu também tenho fotos coladas na parede ao lado da minha cama, são fotos da última viagem que fiz, e foi com meu namorado. Foram dias intensos, mas em sua maioria deliciosos! Tenho várias fotos na parede, fotos de paisagens, com meu namorado e algumas sozinha. É gostoso tirar fotos, revelá-las, e até mesmo publicá-las. Confesso que não tenho nenhuma foto com meu namorado em redes sociais, espero esse primeiro passo dele, não gosto de me expor totalmente, e acho que casal que é feliz não precisa expor isso ao mundo, mas acho legal ter uma foto junta ou outra, não para exibir ou provar alegria para os outros,  mas sim por não ter motivos para esconder o relacionamento, por não se envergonhar de estar com alguém, por querer mostrar para o mundo que a única pessoa que você quer ao seu lado é sua namorada. Sabe, aquelas fotos bobas ''Netflix and Chill'', não fotos de viagem, barzinho, blá - isso pertence ao casal somente. E é gostoso ter fotos juntos, fotos de verdade, reveladas, para olhar e relembrar do momento, bater aquela nostalgia e querer voltar no tempo, naquele dia especial, em que algo diferente foi feito. E a foto da rede social, uma foto normal, por gostar da pessoa, por querer mostrar ao mundo que é dela que você gosta - e você não tem medo de mostrar isso ( mas sem declarações, por favor, as declarações devem ser feitas no particular ), pois o excepcional não interessa aos outros, afinal, como já diria uma colega "aquilo que ninguém sabe, ninguém estraga". Pois bem, cá estou divagando novamente haha. Bem, essa é a nostalgia, a saudade boa; e onde fica a saudade ruim?
sad, text, and message image       A saudade ruim, é a saudade em si - redundante não? É aquele aperto no coração, é a sensação de que seu coração parece fraco, parece de areia, parece que dói pra bater. A saudade é não saber como agir, é querer falar com alguém que precisa de um espaço, é precisar de um 'oi' de uma pessoa especial e não o receber, é querer dar esse 'oi' e temer irritar o outro.  A saudade é querer contar boas coisas, e coisas ruins para aquela pessoa especial, mas ter que respeitar o silêncio dela, é ficar no escuro, sem saber como agir, e ainda sim pensar em mil formas diferentes de tentar chamar a atenção da pessoa especial. Meus caros, esse sentimento é uma tortura, você quer abraçar alguém que não pode - seja pela distância física ou emocional, você precisa da presença dela e tenta se contentar em usar uma camiseta dela como fronha para poder abraçar e sentir o cheiro de quem você gosta, é ver as fotos, e sentir aquela nostalgia e começar a sorrir, querer voltar para o passado, e saber que ele não volta e começar a pensar no presente e cair em si e ver que aquilo passou. A saudade é triste. É cruel, ela te mata aos poucos, e não há nada que você possa fazer para acabar com ela. Afinal, ela é composta de você e de outra pessoa, e a não ser quer que a outra pessoa fale contigo, não há que possa ser feito, além de esperar e esperançar.